Encontro em São João de Meriti: 150 propostas para o crescimento do setor

O Sistema Fecomércio RJ promoveu, nos dias 10 e 11 de maio, em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de São João de Meriti, a 14ª edição do encontro regional do Mapa Estratégico do Comércio, com o objetivo de elaborar e fundamentar propostas para o crescimento sustentável do setor no Estado do Rio de Janeiro no período de 2015 a 2020. No dia 10, formou-se um Grupo de Trabalho, composto por empresários e autoridades locais, que apresentou 150 sugestões para fomentar as atividades do setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo no município, entre as quais se destacam iniciativas nas áreas de Segurança (25), Serviços Públicos de Suporte (24) e Relações com Atores de Interesse (18). No total, somados todos os encontros regionais no Estado do Rio realizados desde o ano passado, 1.757 propostas já foram apresentadas.

O GT propôs, entre outras medidas, flexibilização do funcionamento das creches, de acordo com o horário comercial; e a revitalização e urbanização de bairros, como forma de favorecer o comércio local e melhorar a mobilidade urbana. Essas propostas, formuladas em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, por meio da FGV Projetos, serão enviadas ao poder público. O Sistema Fecomércio RJ é composto por Sesc RJ, Senac RJ e Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro.

Já no dia 12, foi realizado um grande evento no Hotel Red Roof Inn, em São João de Meriti, com painéis que reuniram formadores de opinião e jornalistas. Estiveram presentes Flávia Oliveira, Flávio Fachel, Natuza Nery, Andrea Ramal, Antônio Gois, Maria Prata, Washington Fajardo, Marcelo Neri, Guilherme Velho, Ronaldo Lemos, Luiz Paranhos Velloso e Cristiane Lôbo. Nessa edição regional foram discutidas as potencialidades da Região Metropolitana que, além do município que sediou o encontro, inclui Tanguá, Paracambi, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito, Seropédica, Japeri, Itaguaí, Queimados, Maricá, Nilópolis, Mesquita, Itaboraí, Magé, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Niterói, Duque de Caxias, São Gonçalo e Rio de Janeiro.

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Sérgio Neto Claro, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de São João de Meriti. | Foto: Helio Melo

“É um dia ímpar para a nossa cidade. E, como estamos no município com maior densidade demográfica do país, esse evento é fundamental. Vejo neste movimento uma possibilidade de elencar vocações importantes. Nossa vocação é o comércio. Várias ideias surgiram e não tenho dúvida de que elas sairão do papel em benefício do nosso povo”, afirmou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de São João de Meriti, Sérgio Neto Claro.

Os 21 municípios da Região Metropolitana ocupam uma área de 6,7 mil quilômetros quadrados (15,4% do território fluminense), com 12,3 milhões de moradores, ou 74% da população do estado, segundo o IBGE. O PIB da região metropolitana é de R$ 439 bilhões (dados de 2014), correspondente a 65% da riqueza gerada no estado do Rio, sendo que São João de Meriti, o oitavo município fluminense em população (461 mil habitantes), contribui com R$ 7 bilhões.

O setor
O setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo congrega no Estado do Rio 349 mil empresas (62,2% dos estabelecimentos fluminenses), sendo que 80% são microempresas. Setor que mais emprega no estado, contribuiu com dois milhões de postos de trabalho formais (42,6% do que é gerado no estado). Em São João de Meriti, esse segmento conta com cerca de cinco mil estabelecimentos, que empregam 37 mil trabalhadores (55% deles com ensino médio completo).

Na palestra de abertura do evento, a jornalista Flávia Oliveira traçou um panorama do momento econômico do país e sugeriu aos empresários que invistam em medidas que melhorem a eficiência no consumo de água e energia, o que levará a ganhos futuros. Ela frisou que a reforma trabalhista em discussão no Congresso deverá levar a uma flexibilização nas relações nessa área, com novos modelos de contratação. “Haverá menos a relação patrão/empregador, e mais a relação cliente/fornecedor”, afirmou.

No painel dedicado à “Educação Profissional”, a educadora Andrea Ramal e o jornalista Antônio Gois enfatizaram que esse é um caminho eficaz para preparar e empregar a população jovem, sobretudo em setores como o de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, que requer profissionais de perfil técnico. Andrea sugeriu que os empresários criem Universidades Corporativas para formar mão de obra qualificada. A criação de instituições como essa foi justamente uma das propostas saídas do grupo de trabalho que se reuniu em São João de Meriti, durante a etapa regional do Mapa do Comércio.

Na discussão sobre “Desafios para as Cidades (Inteligentes e Sustentáveis)”, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo ressaltou que, com um olhar mais atento para as cidades, é possível elaborar propostas simples que resgatem valores tradicionais e melhorem a qualidade de convivência, sem a necessidade de projetos grandiosos. Ele elogiou uma das sugestões surgidas no GT: a criação de um calçadão na área comercial. Fajardo sugeriu que seja implantado em etapas, a partir de um projeto-piloto. Já o advogado e pesquisador Ronaldo Lemos disse que os novos recursos à disposição do cidadão, por meio de aplicativos de celular, podem revolucionar a relação com o poder público. Citou experiências como a de Chicago, nos Estados Unidos, onde estatísticas produzidas em tempo real ajudam a elaborar políticas públicas, como a de redução de homicídios.

No debate sobre “Financiamento Empresarial”, o economista e pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social, alertou os empresários a ter cautela na obtenção de crédito, sugerindo que eles evitem esse caminho e se autofinanciem, diante do quadro econômico ainda delicado. E a jornalista Natuza Nery, analista de política e economia, avaliou que os indicadores de consumo só devem voltar a melhorar no ano que vem. Ela afirmou que, apesar de sinais de recuperação da economia, as exigências dos bancos para concessão de crédito ainda não diminuíram.

No painel que tratou de empreendedorismo, a jornalista Maria Prata citou novas formas de fazer negócio e iniciativas de sucesso nessa área. São geralmente ideias de jovens empreendedores, que enxugam ao máximo a burocracia, usam a tecnologia de forma intensiva e criam novas soluções para problemas que encarecem o preço final do produto, como a formação de estoques. “São os negócios disruptivos”, explicou, acrescentando que o termo se aplica a empreendimentos inovadores que rompem com antigas práticas.

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